Archive for the ‘Mídia’ Category
Eu não vou te dar esse lide…
E não deu, mesmo. O presidente da Petrobras Sérgio Gabrielli deve ter passado por extenso media training. Está afiado. Fala durante três horas e não diz nada. Responde perguntas polêmicas com paz de espírito budista e agora mete-se a editor e desarma a imprensa com seus próprios jargões:
- Eu não vou te dar esse lide – respondeu a uma repórter, arrancando gargalhadas de todos.
Correio Braziliense distribui jornal de graça
Estratégia de divulgação ou frente de ataque para sair bem no IVC (Índice Verificador de Circulação)? Fica aqui a pergunta, mas o fato é que todos os transeuntes da Rodoviária do Plano Piloto, em Brasília, estavam com um exemplar do Correio Braziliense embaixo do braço sábado. Grandes pilhas do jornal eram distribuídas na entrada das escadas rolantes. Até mesmo os moradores de rua aceitavam o exemplar do dia para conferir as notícias que os interessava. O interessante é que grande parte do público que usa a rodoviária não tem perfil de leitor do Correio, jornal voltado para os moradores do Plano e não das cidades satélites, mesmo assim, ninguém recusava o impresso. Prova que as pessoas têm interesse, mas pensam duas vezes antes de comprar um jornal que custa o preço de uma passagem de ônibus. Mas voltando ao IVC – índice que mede o lastro dos jornais e serve de parâmetro para a precificação da publicidade a ser anunciada nos veículos e mede a musculatura das empresas de comunicação - a distribuição de jornais tem se tornado mais frequente. O jornal O Globo, por exemplo, distribui exemplares do dia em ônibus interestaduais. Resta saber, estratégia de divulgação ou uma frente pró-IVC?
Caiu na rede é… Migrante Digital
A internet mostra que nem só de impresso vive o homem. Até mesmo os leitores mais tradicionais, que conservaram por anos o hábito de sujar os dedos de tinta durante o café da manhã, sucumbiram às notícias na rede. E é isso. O Brasil tem agora uma legião de migrantes. Migrantes digitais. Atenta à isso, a experiente jornalista Guta Nascimento criou um blog para debater sobre esse êxodo. O Migrante Digital produz uma interessante abordagem do primeiro contato de jornalistas com a internet. A última coluna de Guta traz o brilhante jornalista e amigo do blog Miguel Arcanjo Prado.
Setenta lições de jornalismo
Por Miguel Arcanjo Prado*
Um dos meus grandes orgulhos nessa carreira chamada jornalismo, na qual estou há sei anos, é ter trabalhado na mesma redação que Roberto Hirao, em meus oito meses no jornal Agora São Paulo, do Grupo Folha, entre outubro de 2008 e junho de 2009.
Tenho uma baita satisfação em dizer que tomei vários cafés com o Hirao na cantina do 10º andar do famigerado prédio da Folha de S.Paulo, na alameda Barão de Limeira, e que fui um dos privilegiados em conferir as primeiras provas do livro “70 Lições de Jornalismo” (Publifolha, 216 pgs., R$ 29,90), que ele lança neste sábado, às 11h, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo.
O livro é bem simples e direto. Traz 70 colunas que Hirao publicou na Folha da Tarde, nos tempos em que foi ombudsman da publicação já extinta. Cada observação é mais do que preciosa. É um verdadeiro tratado sobre o jornalismo diário, sobre a verdade que cada repórter, editor e redator deve buscar para seu leitor.
O livro do Hirao não deixa de ser também testemunha de uma época importante de nosso país. Ele fala de Collor, de obras públicas na cidade e até do tetracampeonato da nossa seleção canarinho, na Copa de 94. Hirao é sábio na simplicidade de seu texto. Como ele é no dia a dia, coisa que muitos bons jornalistas desse país puderam conferir de perto. Como eu fiz.
Ah, para quem está por fora de quem é Roberto Hirao, aí vão algumas informações básicas: ele começou a carreira no extinto Última Hora. Em 1973, assumiu a editoria de cidades da Folha de S.Paulo. Na Folha da Tarde, foi editor e ombudsman. Atualmente, dá expediente diário como editor da primeira página do jornal Agora São Paulo.
*Miguel Arcanjo Prado é repórter do grupo Record de comunicação, já passou pela Folha Online, Agora São Paulo, Grupo Abril, TV Globo e gentilmente colabora com o Brasileiros e Brasileiras.
O Jornal do Senado e o efeito Suplicy

Parece que o presidente do Senado José Sarney repete na Casa Alta a estratégia usada pelo clã nos veículos de comunicação do Maranhão. O Jornal do Senado - tablóide diário em papel couchê, com tiragem de aproximadamente 45 mil exemplares bancado com recursos públicos - foi aparelhado por Sarney. Ontem, o sempre discreto e homem de partido senador Eduardo Suplicy (PT-SP) deu uma rara demostração de revolta contra o cabresto que a Presidência impõe à legenda e peitou Sarney, Lula e companhia no meio do plenário. A atitude mereceu destaque em todos os grandes jornais do país. No Jornal do Senado, nem uma chamada na primeira página. Jogaram o assunto para o miolo da publicação em uma matéria bem pequena e bem escondida. Decisão editorial bem diferente da adotada quando Sarney defendeu-se em discurso no plenário, na edição do dia 6 de agosto. O presidente do Senado ganhou foto rasgada na primeira página com pose de estadista. O baixo clero do Congresso costuma reclamar do aparelhamento das agências de comunicação das Casas. Dizem que é mais fácil aparecer nos "três jornais" e nas grandes emissoras que nos tablóides e nas TVs institucionais. Os amigos de Sarney, no entanto, não têm essa dificuldade. O senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL), por exemplo, sempre ganha uma matéria positiva na edição do Jornal do Senado. O fato é que os contribuintes estão pagando para melhorar a imagem de Sarney, pelo menos em Brasília.
Discurso de “Sarney” aos twitteiros
País da piada pronta: Tanure ensina como recuperar empresas de mídia em crise
Release e papel aceitam qualquer coisa, já dizia o poeta. Olha o informativo que tiveram a coragem de circular:
“O presidente da Companhia Brasileira de Multimídia (CBM), Nelson Tanure, participa do debate “A Recuperação das Empresas de Mídia em Época de Crise”, nesta quinta-feira (30/07), em São Paulo. O encontro também terá a presença do ex-turnarounder do grupo Abril, Maurizio Mauro, do empresário Ronald Carvalho, e do advogado especializado em recuperação de empresas Thomas Felsberg”.
O Jornal do Brasil, o melhor diário que esse país já teve, sofre com o predadorismo desse empresário. Os funcionários da Gazeta Mercantil já rezaram a missa de mês de morte do jornal. Muitos trabalhadores do JB não recebem salário desde maio. Muitos já presenciaram o brilhante fotógrafo Evandro Teixeira comprar filme, sim, filme, com dinheiro do próprio bolso para fazer pauta do dia-a-dia. O jornalismo que ainda é feito no JB sai todo dia na base do heroísmo. Não há material, não há estrutura e agora nem salários. O JB agoniza. Qualquer jornalista, empresário ou amante da Democracia deveria se entristecer com a situação do Jornal do Brasil. Deixar o JB morrer é matar parte da memória do país. Ouvir palestra do Nelson Tanure é ajudar o pistoleiro a apertar o gatilho.
Zé
Por Miguel Arcanjo Prado*
Enquanto muita gente espera sua morte, ele só pensa em vida. Bravo guerreiro e, antes de tudo, mineiro, segue em frente sempre com um ar que consegue dar a mistura perfeita entre altivez e humildade.
Zé, como quem gosta dele prefere chamá-lo, é homem de fé. Por isso está aí, lutando de pé sempre. Se eu tivesse que resumir tudo que penso sobre o vice-presidente da República, José Alencar, em uma palavra apenas, escolheria dignidade. Antes de tudo, ele é um homem digno.
Sua luta pública contra o câncer não faz ninguém ter pena dele. Muito pelo contrário, gera admiração profunda. Enquanto muitos homens públicos preferem esconder uma doença dessa magnitude até o fim, Zé faz de forma diferente: se expõe sem medo, com toda verdade possível. Ele jamais faz uso sensacionalista de seu estado de saúde, nem permite que outros façam isso. Age como um homem de preceitos e caráter irrepreensíveis faria.
Quando vejo Zé entrar e sair do hospital Sírio-Libanês, nas suas muitas internações ou cirurgias para retirada de tumores, sempre presto atenção na forma serena como conversa com os jornalistas, como conta o que lhe disseram os médicos, na ciência da figura pública e querida que é. Não se incomoda com as perguntas. Responde a todos com carinho de um pai. Também sempre faz questão de agradecer às muitas orações que recebe de conterrâneos como eu e também de gente de todo o Brasil.
Aprendi a admirar o Zé quando fui setorista da Vice-presidência, nos tempos de estagiário na reportagem da Globominas.com, o portal da TV Globo em Belo Horizonte, há três anos. Meu editor naquela época, o grande jornalista Paulo Valladares, me incumbiu de monitorar cada passo do vice-presidente. Ele foi a primeira personalidade da qual ocupei meu fazer jornalístico.
Aprendi a acompanhá-lo em seus feitos e declarações, muitas vezes vistas como insubordinação ao presidente Lula mas que, com o tempo, viraram marca registrada do Zé, sempre com o tom diplomático inerente aos mineiros. Acompanhei também as muitas internações, já que a luta do Zé contra o câncer é antiga. Ficava de olho nos boletins médicos e em sua recuperação.
Sempre quando ele se interna, muitos de meus colegas de profissão já pensam que será a última vez. Sempre rebato e digo, firme: fiquem tranquilos, porque o Zé vai sair dessa. Afirmo isso com a fé que ele mesmo, com sua atitude de vida, me ensinou a ter e manter. Vou com ele até o fim.
*Repórter do Grupo Record de Comunicação, já passou pela Folha Online, Agora São Paulo, Editora Abril, Globo Minas e TV UFMG. Publicado originalmente no blog: http://miguelarcanjoprado.blogspot.com/
Em tempos de Sarney, Glauber Rocha. Documentário “Maranhão 66″, imperdível
Cacique Cobra Coral aconselhou Sarney a evitar cargos de destaque no Congresso

Notinha publicada no Jornal de Brasília em 2001 trazia previsão da medium Adelaide Scritori, inspirada pela entidade Cacique Cobra Coral, sobre o futuro de José Sarney caso o ex-presidente não aceitasse terminar a carreira política apenas como mais um senador dos 81 que ocupam cadeiras na Casa Alta. Sarney inventou de ser presidente do Senado e deu no que deu.
Dimenstein critica Caetano e Ivete por bancarem shows com dinheiro público
Giulia Olsson tem 14 anos e estuda no ensino médio na Flórida. Nos últimos meses, ela vendeu limonada na rua, lavou carros, disparou e-mail por várias partes do mundo para arrecadar dinheiro destinado à orquestra sinfônica de Heliópolis, a maior favela de São Paulo. Conseguiu levantar R$ 30 mil. Giulia está, nesse momento, ensinando violino para as crianças da sinfônica e vai se apresentar na Sala São Paulo. uma lição para celebridades como Ivete Sangalo e Caetano Veloso, entre outras celebridades brasileiras, que vem conseguindo dinheiro público para seus shows. Uma das justificativas dadas pelo Ministério da Cultura para aprovar a concessão do benefício à turnê de Caetano Veloso (um benefício totalmente dentro da lei, diga-se), é que Ivete Sangalo, montada nos seus milhões de reais, com plateias cheias, também ganhou –assim como Maria Bethânia. Todas essas celebridades fariam melhor a elas mesmas e ao país se, como Giulia, pelo menos compartilhassem suas experiências com estudantes. Enquanto uma menina de classe média se empenha em ajudar uma comunidade, transformando dinheiro privado em ação pública, a Lei Rouanet tem permitido o contrário –dinheiro público voltado a interesses privados. (Gilberto Dimenstein, na Folha)
Amigos do blog: Informe JB na TV

Essa galera aí da foto, em especial o colunista Leandro Mazzini, passa o dia no Congresso atrás de notícia faz jornal e ainda faz TV. Eles comemoram hoje o 45° programa que vai ao ar às 21h30 na Rede Vida.
Brasileiros e Brasileiras no Informe JB

O brilhante colunista Leandro Mazzini, comandante do tradicional Informe JB, publicou na edição de domingo do Jornal do Brasil referência ao humilde blog. Obrigada e um grande abraço ao jornalista. Somos amigos do Informe JB!
Radialista bate boca com deputado que se lixa
De pedra a vidraça, a imprensa segue seu ofício errando e acertando ao vivo. O episódio do deputado Sérgio Moraes (PTB-RS) mostra que tanto os parlamentares como os jornalistas têm um longo percurso de amadurecimento democrático. Questionar as frases descabidas do deputado é dever de todos os cidadãos. Utilizar o conhecido corporativismo do setor é condenável. O risco do jornalismo em primeira pessoa ficou registrado em entrevista do deputado ao radialista Roberto Canázio. Ao começar a entrevista dizendo que concordou com o presidente do Conselho de Ética pelo afastamento de Moraes como relator o jornalista trouxe a discussão para o campo pessoal. O deputado se defendeu e criticou que seu pares da Câmara não têm moral para criticá-lo. “A deputada Solange Amaral que meteu a mão na guaiaca do povo, que viajou para o exterior, para Madri, agora vem parar na minha frente e querer me dar lição de moral, ela não tem moral”, atirou Moraes referindo-se à deputada do Rio envolvida no escândalo da farra das passagens aéreas.”Os R$4.500 são migalha perto do que vocês da imprensa ganham em publicidade da Petrobras. Quem fala o que quer ouve o que não quer”, atacou o deputado. A briga pode ser ouvida no post da Rádio Globo. “Quem está sendo julgado é o senhor e não as Organizações Globo”, defendeu Canázio, respondendo as afirmações de Moraes sobre o recebimento de verbas públicas de empresas estatais. “Eu não acredito nas suas verdades, suas verdades para mim são todas mentiras inteiras. Nós estamos muito felizes pelo seu afastamento. Atenção povo, ele se lixa para minha opinião. O senhor está aqui como convidado e não pode questionar nada”, afirmou o jornalista que chegou a mandar o deputado calar a boca. “Esse é o homem, esse é o homem. Povo, povo, ele diz que se lixa”. O jornalista ainda termina falando que “não é a propaganda oficial que cala a boca das Organizações Globo, muito pelo contrário, muito pelo contrário. Eu não queria entrevistá-lo, mas quis mostrar a vocês quem é a figura”. Ouça o áudio na íntegra.
Brasileiros e Brasileiras no Noblat

Salve, pai dos blogueiros! Obrigada pela menção deste humilde espaço.
Programa de vasectomia da Dona Xepa, direto do Tororomba News
Lá para os lados de Ilhéus, no Sul da Bahia, existe uma figurinha lendária, de fazer inveja a qualquer romancista. Dona Xepa, como é conhecida, dirige um grande Eco Resort da região, o hotel Tororomba. Inventou um jornal para contar o dia a dia do hotel, o Toromba News. De boletim passou a diário, impresso em papel sulfite nas máquinas de xerox do estabelecimento. Fez até curso de informática para aperfeiçoar o talento nato.
Os hóspedes recebem das mãos da editora as notícias fresquinhas. Além do árduo trabalho como editora, redatora, repórter, fotógrafa, diagramadora, técnica de impressão e distribuidora do Tororomba News, a administradora financeira do hotel ainda arruma tempo e energia para se preocupar com a vida amorosa dos funcionários. Basta que a mulher de algum empregado anuncie que deu a luz ao segundo filho para Dona Xepa convidar o sujeito para o programa de vasectomia da empresa. Os rapazes que trabalham lá e já têm dois filhos não gostam muito de tocar no assunto, não.
Le Vejà Diplomatique
Essa veio de um pernambucano arretado morador do Cerrado. A principal revista dos Civita está muilo longe da Imprensa sonhada pelos intelectuais que ainda acreditam na Democracia brasileira. Aí veio a Piauí e muitos acadêmicos voltaram a olhar este jornalismo com um certo respeito.
Tudo bem, exagero, mas com um pouquinho de respeito, pelo menos. A Piauí é a “Le Vejà Diplomatique” do país, resumiu brilhantemente. Com broche do Bart Simpsons e sotaque carregado, censura a programação televisiva de um bar “antenadinho” decorado com foto panorâmica de Nova Iorque. “Enbibi, não acredito, é a versão brasileira da Enbiei”, exalta-se. E o pior que é verdade. Os jogadores de basquete brasileiros na tela imitam os penteados americanos e a quadra está estampada com um imenso NBB, imitação barata do logotipo da NBA. Deus salve a América.
Pai de ex de Galisteu dá presentes a jornalistas

O presidente da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Norte, Robinson Faria, pai do deputado federal Fábio Faria (ex-namorado de Adriane Galisteu) tem o hábito de reunir a imprensa local para um grande rega-bofe e distribuição de presentinhos. E não é que os jornalistas aceitam.

Quer ser meu primeiro-damo?
O prefeito Gilberto Kassab foi apresentado, dia desses, a um bem apanhado jornalista. Encantou-se com a boa aparência do rapaz e elogiou: “Nossa, pensei que você fosse bem mais velho”. É como dizem, sou jornalista, mas tenho charme.
Pergunte ao economista
Brava, ao ser interpelada por Renata Vasconcelos durante o Bom Dia Brasil, enquanto apresentava números da crise, Miriam Leitão respondeu assim ao questionamento da colega, sobre as causas da crise, resumidas nas opções “falta de investimento ou falta de confiança no futuro”, disse à especialista em um momento pouco refletido. “Só investe quem tem confiança no futuro”, respondeu Miriam, rispidamente.