Archive for the ‘Extra pauta’ Category
Eleição de Coimbra mostra que falta de simpatia não prejudica candidatos

Direto das eleições autárquicas para a Câmara Municipal de Coimbra, a genial jornalista Ines Garçoni, comandante do blog Anastácia na Feira, dividiu conosco essas preciosidades. Na primeira foto, a querida Ines posa ao lado do assustador cartaz dos já reeleitos Carlos Encarnação e Palmira Pedro. Longe de nós questionar a falta de beleza dos candidatos, mas a montagem da peça é de arrepiar. A cabeça de Palmira foi ampliada em proporção maior que a de Encarnação e o recorde da foto parece ter sido feito por algum neto da candidata que ainda aprende a brincar no photoshop. A aura branca também fruto do recorte digital amador que envolve Encarnação dá um ar de filme de terror ao candidato que já tem um sobrenome sugestivo. O fato é que os dois venceram. Não sei se valeria o mesmo para o Brasil, mas em Coimbra os eleitores não ligam muito para imagem, não. O outro achado de Ines Garçoni mostra como nossa Direita não está tão à direita como dizem. “A família tem por objectivo a procriação”, bradam os direitistas portugueses para desespero da Juventude Socialista. O jornalismo brasileiro já sente falta de Ines Garçoni. Ela deixou essas terras para fazer mestrado em Coimbra. Enquanto a mestre não volta esperamos ter sempre essa visão garçoniana da política e da cultura de Portugal.
Vazamento de prova pode ter viés político
Integrantes do Ministério da Educação tentam refazer os passos da tentativa criminosa de venda da prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) a uma repórter do Estado de S. Paulo. A equipe acha muito estranho depois de 11 anos de Enem algum a prova vazar justamente no ano que a avaliação compreenderia grande número de universidades federais e daria um grande passo para substituir de vez os vestibulares. Também chama a atenção da equipe os criminosos tentarem vender a prova para dois veículos de comunicação. A prova também foi oferecida ao Portal R7, da Record. Em ano pré-eleitoral, a fraude pode macular a imagem do ministro Fernando Haddad, possível candidato ao Senado por São Paulo.
Do Palácio aos ministérios: só cachaça
O presidente Lula já declarou ser um defensor da cachaça, preterindo assim os uísques importados. Apesar de o destilado de grãos ser o preferido nas rodinhas “ponto gov”, o staff do governo tem ouvido as orientações do chefe e investido na cachaça. Nosso vice-presidente José Alencar tem amor de pai pela sua “Maria da Cruz” e o ex-ministro do Tribunal de Contas da União Carlos Átila faz sucesso com a ”Cachaça do Ministro”. Agora, o ministro de Relações Institucionais José Múcio pretende lançar a “Dona Xica”. Cachaça na política é coisa séria, estende até a rivalidade governo X oposição para a mesa de bar. Que o diga o governador de Minas Gerais Aécio Neves. O tucano defende sua “Mingote”, produzida na fazenda dos Neves em Cláudio (MG), como a melhor cachaça mineira. Alencar fica bravo. O assunto dá mais briga entre os dois que discussão sobre os rumos da política econômica do país.
Simon, Renan e Collor lavam a roupa suja
PEDRO SIMON (PMDB-RS) – O presidente Sarney, em sua longa vida pública, deveria entender que a renúncia dele é um grande ato. Jader renunciou, Renan renunciou, Antonio Carlos renunciou. Saiu um entrou outro e ficou tudo igual. A começar pelo senador Renan que não gosta de mim, como é que eu vou ser presidente do Senado.
RENAN CALHEIROS (PMDB-AL) - Eu gosto muito de vossa excelência, como não gostar de vossa excelência. Só lamento que o esporte preferido de vossa excelência seja falar mal do Sarney.
PEDRO SIMON (PMDB-RS) – Eu peço que a imprensa escute e noticie isso. Essa, imprensa, essa imprensa…
RENAN CALHEIROS (PMDB-AL) – Vossa excelência perdeu a indicação para a vice. Isso é um fato histórico.
PEDRO SIMON (PMDB-RS) – Vossa excelência está inventando agora, isso é uma mentira.
RENAN CALHEIROS (PMDB-AL) – Eu não estou inventando nada, eu gosto de vossa excelência. Por que vossa excelência quer que Sarney saia? Por causa do problema com o neto?
PEDRO SIMON (PMDB-RS) – Pelo mesmo motivo que vossa excelência renunciou.
RENAN CALHEIROS (PMDB-AL) – Eu enfrentei dois processos por questões privadas. Vossa excelência veio do hospital, saiu do hospital para vir aqui fazer um discurso contra o presidente Sarney. No início da crise, vossa excelência foi no gabinete de Sarney falar que estava solidário com ele. Eu lamento que vossa excelência faça isso no pessoal e nos discursos siga o que a opinião pública quer ouvir.
PEDRO SIMON (PMDB-RS) – Vossa excelência foi para China fazer aliança com o Collor. Vossa excelência largou o Collor.
RENAN CALHEIROS (PMDB-AL) – Eu assumo o que eu fiz.
PEDRO SIMON (PMDB-RS) – Vossa excelência foi ministro do FHC e depois largou o FHC e agora é homem de confiança do Lula.
(Collor entra na briga).
FERNANDO COLLOR DE MELLO (PTB-AL) – As palavras que o senhor acabou de pronunciar são palavras que eu não aceito. São palavras que eu quero que o senhor as engula e digira como achar conveniente. As minhas relações com o senador Renan são relações que eu nunca me arrependi. Quando o senhor fala de uma reunião na China o senhor fala sem saber o que aconteceu. Eu estou do lado do presidente Sarney. Essa casa não pode ser agachar ao que a mídia deseja. Ela não conseguira tirar o presidente Sarney dessa cadeira. Nem ela, nem o senhor. Peço a vossa excelência que por favor evite falar meu nome nessa casa. Eu gostaria de mencionar alguns fatos, alguns acontecimentos extremamente desconfortável para vossa excelência.
PEDRO SIMON (PMDB-RS) – Pois mencione esses fatos…
FERNANDO COLLOR DE MELLO (PTB-AL) – Eu falo quando eu quiser.
PEDRO SIMON (PMDB-RS) – Eu estive, realmente, no gabinete do Sarney e pedi para ele tirar a licença.
RENAN CALHEIROS (PMDB-AL) – Eu gosto muito de vossa excelência e por isso tenho que ajudar, a versão do presidente Sarney da visita do senhor é outra.
(A discussão aconteceu hoje no plenário do Senado)
Quando era candidato, Cabral prometeu integrar Rocinha à cidade

Matéria do site de campanha do então candidato ao governo do Rio pelo PMDB Sérgio Cabral, em 23 de julho de 2006
No universo político as coisas mudam muito rápido. Acadêmicos gostam de tentar pegar a realidade com as mãos e discutir infinitamente o ideal dos fatos sem nunca sugerir solução para os problemas. E isso é um problema. Entre os temas de discussão nas cadeiras de Ciência Política das universidades está a polêmica do “mandato representativo” versus “mandato imperativo”. Na primeira forma de governo o eleitorado transfere seu poder de decisão para um representante e dá a este um cheque em branco para fazer escolhas em busca de um Bem Comum para a sociedade. No segundo, o eleitor vota em um programa e diretrizes que espera execução quando o candidato escolhido chegar ao poder. Ferir o programa apresentado aos eleitores durante o governo seria uma espécie de estelionato eleitoral. Como em nosso país o mandato representativo é a realidade vigente, temos que nos limitar à mesa dos bares para chamar o governador Sérgio Cabral de estelionatário. Quando era candidato ao governo do Rio e andava pelas ruas apertando a mão de trabalhadores, o peemedebista ostentava discurso humanista, de inclusão social e busca de uma sociedade mais justa para os fluminenses. Dois anos depois, Sérgio Cabral reformula os guetos com projeto de muro para separar os favelados dos endinheirados da Zona Sul. O apartheid de Cabral está muito longe do “compromisso” firmado por ele e moradores e líderes comunitários na manhã do dia 23 de julho, em visita à Rocinha. Durante a agenda de campanha, o candidato ao governo apresentou projeto do arquiteto Luiz Carlos Toleto para “humanização” da favela, Cabral prometeu abertura de vias para facilitar a “acessibilidade” dos moradores. “Nós queremos que a Rocinha se integre com a cidade. É um projeto de humanização da comunidade”, discursou, sob aplausos. À época, Cabral ainda criticou o Favela Bairro do então prefeito Cesar Maia. Disse que o programa municipal “manteve a morfologia fechada” das favelas.