Larissa Leite
Adoro quando fico só,
quando todos os cômodos da casa estão prontos a me receber
e as paredes ganham curvas, texturas, olhares.
Caminho descalça pela casa e espero que ela me sugira o que fazer.
Porque sozinha, sou enorme.
Não caibo no canto do sofá.
Quando tenho coragem de ficar assim,
no silêncio da meia-luz, vibra uma festa em mim.
Vozes espetaculares soam,
personagens clamam,
já não estou só.
Sou um povoado onde a vida é rebuliço
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