Não dou sorte com o CCBB de Brasília. Ou o CCBB da Capital é MUITO ruim ou sua versão fluminense está à frente dos padrões nacionais de entretenimento cultural e estou fazendo uma comparação injusta. No Rio de Janeiro, um dos espaços que eu mais amava era o Centro Cultural do Banco do Brasil. Como era bom cruzar a avenida Rio Branco e entrar na Primeiro de Março para aproveitar as exposições naquele prédio magnífico.
Era impossível passar menos de três horas nas galerias. Artes plásticas, instalações de homenagens a grandes criadores, espaços interativos, tudo isso regado à vivacidade dos visitantes que lotam o espaço. Jovens secundaristas (que matavam aula no CCBB), estudantes das Belas Artes, grandes famílias com crianças animadas e todo tipo de tribo que uma cidade de verdade abriga. Em Brasília, o CCBB não tem vida. Já ocorreu de em um fim de semana o espaço não ter nenhuma exposição aberta ao público. Relevei, pensei ser azar, mas a recorrência da fraca programação e a falta de criatividade dos curadores chega a ser irritante. Atualmente, o CCBB de Brasília apresenta a exposição da gravurista Maria Bonomi. Oba! Adoro gravura, bora para o CCBB. Mais uma decepção. A falta de cuidado da curadoria com a obra da artista chega a ser desrespeitosa, seguem registros:
O verso das fichas técnicas foi forrado com papel jornal (todosPasmos#) e o arremedo ainda “briga” com o quadro que está no lado contrário de um dos corredores!
Em uma instalação belíssima (Dança das Facas, de 2003) que traz a poética da luta pela terra, os responsáveis pela mostra deixaram a parede suja e pregaram adesivo com a mesma cor do fundo (ou seja, ilegível) para orientar os (sofridos) visitantes sobre a data e título da obra.
Os responsáveis pelo CCBB de Brasília precisam visitar o CCBB do Rio para aprender a dar vida a um espaço. O centro da capital fluminense atrai pessoas de todas as idades e classes sociais. A curadoria das exposições tem o cuidado de pensar a luz e a trilha incidental para dialogar com as obras de arte. A interatividade também é indispensável. Em exposições musicais o centro costumava deixar instrumentos ligados à disposição dos visitantes que soubessem tocar, o que sempre gerava apresentações de improviso, tornando mais viva a experiência de percorrer os corredores do CCBB Rio. É uma vergonha um espaço como o CCBB de Brasília ser tão mal aproveitado.




Como paulistana que morou três anos e meio em Brasília queria apenas registrar que essa discussão envolve dois problemas graves da capital federal: transporte e cultura. O CCBB não é pop pq é inacessível. Não conheço o do RJ, mas o de SP é um prédio que fica no centrão e é sempre requisitadíssimo. E não, o ônibus gratuito não é suficiente para resolver a questão em BSB. Outro problema brasiliense é não ter um abrangente guia de cultura semanal no jornal (aciona lá o Correio Josie!). Com todos os eventos, de exposições a shows, baladas, teatro, cinema…. cinema? Aquela meia dúzia de salas que só exibem blockbusters? Espero que o Espaço salve os cinéfilos da capital. A propósito: eu estava com a Josie na frustrante visita a um CCBB BSB sem exposições. Nos restou caminhar pelo extenso e subutilizado “quintal” do gigantesco terreno do centro cultural.
Ops, faltou me identificar: Claudia Andrade, também jornalista. Aliás, seria legal ter mais comentários de artistas sobre a exposição. Acabei ficando curiosa…
Bom, acho que temos duas coisas diferentes sendo misturadas aqui. Existe uma crítica ao espaço CCBB de Brasília e outra à mostra de gravuras que está em exposição lá. Pelo que entendi, a mostra foi bem recomendada pela Josie, que lamentou o fato de obras tão significativas terem sido tratadas com aparente descaso. Se o descaso foi provocado propositalmente pela autora das obras, isso não elimina a sensação causada no público de se tratar simplesmente de descaso. Aliás, se a Josie, que costuma frequentar exposições e gosta de arte, foi ingênua de não perceber que a sugeira, o jornal e o papel contact mal cortado fazem parte da mensagem, imagine o público que o ônibus gratuito do CCBB vai buscar espalhado pela cidade para levar até suas galerias… Seria bom colocar uma placa de classificação indicativa de educação formal na entrada da exposição para que o público saiba que quem não sabe o significado de “palimpsesto” não deve entrar naquela mostra.
Para além dessa discussão, existe uma outra questão muito mais importante colocada pelo texto da dona do blog: a fraca programação do CCBB de Brasília. COmo brasiliense fico triste em concordar que o centro cultural mais importante da cidade tem deixado a desejar mesmo. Isso não significa que não haja bosas experiências por lá, mas que existe um forte problema de divulgação das moistras, uma escassez de mostras, um esperdício do magnífico espaço aberto à beira do lago. Não há como negar que as poucas experiências com músicos da cidade e festivais de cinema mostram que há um caminho muito mais interessante a seguir do que o da negação de que exista um problema.
Vinícius;
Agora vc também pode pagar de sabido…
Palimpsesto (do grego antigo παλίμψηστος / “palímpsêstos”, πάλιν, “de novo” e ψάω, “riscar”, ou seja, “riscar de novo”) designa um pergaminho ou papiro cujo texto foi eliminado para permitir a reutilização.
Esta prática foi adoptada na Idade Média, sobretudo entre os séculos VII e XII, devido ao elevado custo do pergaminho. A eliminação do texto era feita através de lavagem ou, mais tarde, de raspagem com pedra-pomes.
A reutilização do suporte de escrita conduziu à perda de inúmeros textos antigos, desde normas jurídicas em desuso a obras de pensadores gregos pré-cristãos.
A recuperação dos textos eliminados tem sido possível em muitos casos, através do recurso a tecnologias modernas.
Abraço
Raquel
Desleixo agora virou agora virou poesia?
EU TAMBÉM ODEIO O CCBB DE BRASÍLIA.
E acho que essa “artista” muito mal educada.
Achei que arte estivesse diretamente ligada à liberdade de expressão. Inclusive à liberdade de expressão e crítica do público. Infelizmente, não é o que a artista com sua linguagem cheia de rococó pensa. À propósito, também não sei o que é palimpsesto. E vamos combinar que esse mimimi de artista plástico tem limite, né não???
Prezada Maria Bonomi;
Ainda bem que não fui ver sua exposição. Que texto chato vc tem. E artistas que não sabem aceitar críticas – todas – não merecem o título. Arte é para descansar, para embelezar minha vida, para formar opinião, para conscientizar. E não para me cansar com seu texto.
Luiza Sousa
Se a polícia da arte fosse o braço armado do PCC mandariam matar quem não “entende” poéticas “inovadoras”. Infelizmente a resposta, supostamente da artista, chama de poética o que não passa de um desarranjo. Obrigada Raquel, Guilherme, Vinicius e Chico.
Então… antes de mais nada eu quero só tirar uma dúvida? Isso aqui é um espaço de manifestação pessoal, né? Do tipo, “fui no CCBB, achei o local e a exposição ruins e desejei contar isso aos meus amigos que acompanham o MEU BLOG PESSOAL”, né?
Sendo assim:
EU DETESTO O CCBB. Até hoje, vi duas exposições que realmente gostei lá: uma de arte africana e outra de arte islâmica. Foram as únicas. Além disso, acho o local ruim, acho que o tratamento dispensado aos visitantes pelos funcionários MUITO FRACO… em resumo, eu DETESTO o CCBB. De Brasília. O do Rio de Janeiro eu não conheço, porque eu acho o de Brasília TÃO RUIM, que por puro preconceito não vou lá quando vou à cidade maravilhosa.
Essa é minha opinião e vivemos numa Democracia. Eu e vc, Josie, temos TODO O DIREITO de não gostar do local, da exposição, e do que mais não gostarmos. E no SEU BLOG PESSOAL, vc pode escrever o que quiser. Se o curador do CCBB e a artista não gostaram que lamentem. Afinal a democracia também serve para eles.
Eu só acho que escrever para um blog pessoal questionando seu post, num tom que beira um pedido de direito de resposta e insinuando que vc é uma ignorante que não sabe admirar arte é um ABSURDO. Isso é patrulha.
Se fosse um blog de trabalho, se fosse uma matéria de serviço, vc, Josie, seria obrigada a ouvir os dois lados. MAS COMO É APENAS UM POST NUM BLOG PESSOAL, vc pode escrever o que quiser, inclusive que detestou tudo. Ignore essa patrulha ridícula.
E faça como eu, DIGA EM ALTO EM BOM SOM: EU DETESTO O CCBB DE BRASÍLIA.
Até.
Pelo amor de Deus, alguém responde o que é “palimpsesto”!!
Nossa, eu tive que ler duas vezes o post da artista para acreditar. Pelo amor de Deus! Nem parece que obras tão bacanas como as da exposição foram feitas por alguém que termina o texto perguntando se “você já visitou algum espaço cultural de ponta em outras cidades do Brasil ou no exterior”!
Assino embaixo as observações da Josie. E, sobre o CCBB do Rio, acrescento que algo deve ter de melhor do que o de Brasília, para sempre estar lotado, feito que o da capital não consegue. Dizer que o belíssimo prédio que o abriga exige um comportamento acadêmico faz-me crer que ela não visitou exposições maravilhosas como a dos grafiteiros osgemeos ou do Escher. Ah, desculpe… Escher não deve ser um artista “de ponta”.
O que é “palimpsesto”?
Olhe, eu acho que o CCBB daqui do DF, toda vez que vou em exposições lá, me faz lembrar algo assim faraônico, no pior sentido da palavra. E, em seguida, me faz recordar a ditadura miliar. Aquele prédio é horroroso. Como foram os atos da ditadura. As exposições ali, pelo menos as que já e fui em muitas, são com pouca organização. O café é super fraco, atendimento ruim mesmo. Sabem aquele local que criaram em Brasília, apenas para agradar algum gestor de plantão? É isso que me lembra aquilo lá toda vez. Eu e meus filhos e minha mulher, sempre saímos de lá com queixas. Enfim. O que nem de longe nos permite comparar com o CCBB do Rio de Janeiro. Em absolutamente nada. Por favor, não é? Até o simples fato de nao aceitarem a crítica ao local, já me recordar o pavor à críticas. Tipico dos ditadores. Que existem nao apenas na política é bom lembrar, infelizmente!
Prezada Josie Jerônimo,
Foram muito oportunos para nós seus comentários, pois demonstraram que foi registrado algo diferente na montagem dessa exposição no CCBB. Pena que ingenuamente não percebeu a regência proposital das questões que critica como se fossem acasos sem perceber a forte intenção que conduziu toda a mostra, justamente impactante e inovadora por ser conduzida sensivelmente e não esquematicamente.
Nem faria sentido naquele espaço inquietante.
O discurso da visualidade é coerente com a dinâmica de curadoria extremamente amarrada nos conceitos temáticos, até nos mínimos detalhes dialogando com a arquitetura de Oscar Niemeyer.
A proposta é vivenciar situações além da imagética (assim o calabouço é soturno, as grades e suas sombras projetadas remetem à prisão e ao confinamento), as plaquinhas com os dados das obras foram elaboradas por mim mesma manualmente, uma a uma, sobrepondo páginas de jornais recortadas com noticias políticas indicativas de repressão e crise. A montagem acumulada e casual propõe o panfletário do palimpsesto nas manifestações contemporâneas dos protestos com vísceras expostas etc. etc. contrapondo frente e avesso (simbolicamente) das obras emolduradas.
O espaço do CCBB de Brasília é esplendido, variado suporte para inovações. Assim usamos o espaço interno e externo em correspondências surpreendentes de circulação e formatos, em percursos antagônicos. O público foi inserido numa experiência sensorial individual, além da mesmice previsível.
No CCBB do Rio o prédio faustoso exige um comportamento acadêmico e tradicional, muito categórico e ancestral.
Temos uma infinidade de mensagens com testemunhos diametralmente opostos às suas nostalgias. Será que você já visitou algum espaço cultural de ponta em outras cidades do Brasil ou no exterior?
Maria Bonomi
14/12/11
É, foi ingenuidade não perceber a “regência proposital” do papel contact mal cortado e com a impressão borrada nas fichas de apresentação. Impressionante como um post em um blog pessoal pode mobilizar o responsável pela comunicação social do CCBB Brasília e, até mesmo, a assessoria de imprensa de uma artista. Esse não é um espaço para burocratas, ocupem-se em dizer o quanto são bons em veículos de comunicação de massa. Com o gigantesco montante de recursos mobilizado por um banco estatal para patrocinar a arte fica difícil aceitar uma crítica, não é? Se está tudo perfeito no CCBB Brasília, ótimo! Parabéns a vocês pelo excelente trabalho (regência proposital pela ironia)! E quanto à pergunta elitista e repleta de sentimento de colonizado, o CCBB do Rio é um “espaço cultural de ponta”, o CCBB de Brasília não corresponde às minhas “nostalgias”, mesmo, e se corresponde às suas, lamento. Repito o conselho, tirem um fim de semana no Rio para aprender com os organizadores fluminenses. Gastem o tempo que têm jogando palavras-chave no google para pensar em soluções criativas para a programação cultural de Brasília ou as pessoas daqui terão que passar a vida visitando “algum espaço cultural de ponta em outras cidades do Brasil ou no exterior.”
Obrigado pelas críticas apresentadas no blog, pois ajudarão avaliar melhorias para trazer ao visitante uma programação de qualidade e acessível. Esclarecemos, no entanto, alguns pontos:
1. “Já ocorreu de em um fim de semana o espaço não ter nenhuma exposição aberta ao público.” – As exposições montadas no nosso espaço duram em média três meses. Inevitavelmente, como ocorre normalmente em galerias de arte com exposições provisórias, é necessário um intervalo para montagem da próxima mostra. Informamos que a regularidade da programação é uma das preocupações do CCBB Brasília.
2. “Atualmente, o CCBB de Brasília apresenta a exposição da gravurista Maria Bonomi (…) A falta de cuidado da curadoria com a obra da artista chega a ser desrespeitosa”. – Toda a montagem da exposição – a maior retrospectiva já realizada sobre Bonomi – foi feita pela própria artista que permaneceu em Brasília por 15 dias, até a abertura da mostra que conta, ainda, com a curadoria de Jorge Coli. Em um dos espaços, o período da ditadura militar foi representado com recortes de jornais da época e quadros pendurados em grades, proposição da curadoria e da própria artista.
3. “Em uma instalação belíssima (Dança das Facas, de 2003) que traz a poética da luta pela terra, os responsáveis pela mostra deixaram a parede suja e pregaram adesivo com a mesma cor do fundo (ou seja, ilegível) para orientar os (sofridos) visitantes sobre a data e título da obra”. – Temos um cuidado imenso com a limpeza dos espaços, que é realizada periodicamente e sistematicamente. Apesar disso, o serviço pode não ter sido suficiente, devido à instalação ser interativa e possuir terra na sua composição. De qualquer forma, já procuramos melhorar a manutenção daquele espaço. Quanto aos sinalizadores das obras serem transparentes, foi escolha da curadoria e produção da artista, para não interferir visualmente nas obras de Maria Bonomi.
Por fim, ressalta-se que o CCBB Brasília sempre acompanhou a escolha da produção e da curadoria dos artistas, valorizando suas ideias e interferindo o mínimo possível na montagem das mostras, exatamente porque respeitamos o valor de suas obras.
Figueiró, obrigada pela visita e pelo comentário. Escrevo aqui como cidadã, visitante do CCBB e não como repórter. Há alguns meses, aproveitei muitos filmes do Almodóvar, em uma mostra muito bem organizada pelo centro. Mas as artes plásticas deixam a desejar. O espaço é gigante, enquanto uma mostra é concluída a próxima pode ser montada em outra galeria. Ter uma só já é pouco, é impossível pensar que o CCBB da capital do país tenha que suspender sua agenda de exposições em intervalos de montagens. E o papel jornal não era uma instalação, era o verso da ficha técnica do quadro do corredor oposto. Novamente, obrigada pela atenção. Não sou da torcida contrária, só queria ver a molecada de Brasília entusiasmada, ocupando o CCBB e aproveitando o melhor que a arte pode proporcionar a nossos espíritos. Um abraço!